Avaliação Ergonômica por meio da Eletromiografia de Superfície: Estudo de Caso na Indústria Automotiva

Eugenio Andrés Díaz Merino, Lincoln Silva, Julia Marina Cunha, Ilandir Ferreira da Silva, Giselle Schmidt Alves Díaz Merino

Resumo


A indústria automotiva é um importante setor da economia brasileira, sendo responsável por 5% do PIB do país. Apesar dos avanços tecnológicos da indústria, algumas das atividades realizadas ainda dependem de trabalho manual, repercutindo em riscos à saúde do trabalhador. Nesse sentido, a ergonomia atua visando melhorias de segurança e consequente aumento da produtividade no setor. Assim, esta pesquisa teve como objetivo avaliar, por meio da eletromiografia de superfície, os riscos de lesões musculoesqueléticas inerentes à atividade de montagem de veículos desempenhada por um operador de linha de montagem em uma montadora de automóveis da região sul do Brasil. Como resultado, identificaram-se duas principais posturas de trabalho, em pé e sentado, sendo que em ambas posições o trabalhador realiza a colocação manual de peças adotando flexão de tronco e anteriorização da cabeça. Observou-se maior ativação mioelétrica na postura em pé, principalmente nos grupos musculares multífido esquerdo e trapézio superior direito. Apesar disso, ocorre um favorecimento da recuperação muscular na posição em pé, ainda que ambas as posições apresentem tendência de fadiga muscular e possam levar o trabalhador a sofrer desordens musculoesqueléticas.


Palavras-chave


Eletromiografia; Fadiga; Risco musculoesquelético; Ergonomia; Indústria automotiva

Texto completo:

PDF

Referências


ABRAHÃO, Júlia et al. Introdução à Ergonomia: da teoria à prática. São Paulo: Edgard Blücher, 2009.

ABRAHÃO, Júlia Issy; PINHO, Diana Lúcia Moura. As transformações do trabalho e desafios teórico metodológicos da Ergonomia. Estudos de Psicologia, Brasília, v. 7, p.45-52, 2002. Número especial.

ALMEIDA, Rodrigo Gomes. A ergonomia sob a ótica anglo-saxônica e a ótica francesa. Vértices, Campos dos Goytacazes, v. 13, n. 1, p.115-126, jan./abr. 2011.

ANFAVEA. Anuário da Indústria Automobilística Brasileira 2018. São Paulo: Anfavea, 2018.

ANITA, A. R. et al. Association between awkward posture and musculoskeletal disorders (MSD) among assembly line workers in an automotive industry. Malaysian Journal of Medicine and Health Sciences, v. 19, n. 1, p. 23-28, 2014.

BARBOSA, Fernando Sérgio Silva; ALMEIDA, Camila Cristina Rodeline; GONÇALVES, Mauro. Análise espectral do sinal eletromiográfico do músculo eretor da espinha obtido do teste de Sorensen. Fisioterapia em Movimento, p. 575-583, 2010.

BASMAJIAN JV, DELUCA CJ. Muscle alive: their function revealed by electromyography. Baltimore: Willians & Wilkins;1985. p. 201-22

CHAFFIN, Don B.; ANDERSSON, Gunnar B. J.; MARTIN, Bernard J. Occupational Biomechanics. Eua: Wiley, 2006.

COITINHO, D.C; LEÃO, M.M; RECINE, E; SICHIERI, R. Condições nutricionais da população brasileira: Adultos e idosos. Pesquisa nacional sobre saúde e nutrição. Brasília: INAN, Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição, 1991

COMEL JC, JUNIOR JPB, CHINI EP, PEREIRA HM, CARREGARO RLC, CARDOSO JR. Comparação da atividade elétrica dos músculos trapézio superior e extensores do punho em duas condições de digitação. Fisioterapia em Movimento, v.27, n. 2, p. 271- 279, 2014.

DE LUCA, Carlo J. The use of surface electromyography in biomechanics. Journal of applied biomechanics, v. 13, n. 2, p. 135-163, 1997.

DUL, Jan; WEERDMEESTER, Bernard. Ergonomia prática. Editora Edgard Blücher, 2000.

EKSTROM, Richard A.; SODERBERG, Gary L.; DONATELLI, Robert A. Normalization procedures using maximum voluntary isometric contractions for the serratus anterior and trapezius muscles during surface EMG analysis. Journal of Electromyography and Kinesiology, v. 15, n. 4, p. 418-428, 2005.

ENOKA, R.M.; STUART, D.G.. Neurobiology of muscle fatigue. Journal of applied physiology, v. 72, n. 5, p. 1631-1648, 1992.

FALZON, Pierre. Ergonomia. Tradução de Giliane M. J. Ingratta et al.São Paulo: Blucher, 2007.

FERGUSON, Sue A. et al. Musculoskeletal disorder risk as a function of vehicle rotation angle during assembly tasks. Applied ergonomics, v. 42, n. 5, p. 699-709, 2011.

HÄGG, Göran M.; ÖSTER, John; BYSTRÖM, Sven. Forearm muscular load and wrist angle among automobile assembly line workers in relation to symptoms. Applied ergonomics, v. 28, n. 1, p. 41-47, 1997.

HERMENS, H. J. et al. The SENIAM project: Surface electromyography for non-invasive assessment of muscle. In: ISEK Congress. 2002. p. 22-25.

IEA- International Ergonomics Association. Definição Internacional de Ergonomia. San Diego, USA: 2000 IIDA, It

IIDA, Itiro; GUIMARÃES, Lia Buarque de Macedo. Ergonomia: Projeto e Produção. 3 ed. São Paulo: Blucher, 2016.

KEYSERLING, W. Monroe et al. Effects of low back disability status on lower back discomfort during sustained and cyclical trunk flexion. Ergonomics, v. 48, n. 3, p.219-233, 22 fev. 2005. Informa UK Limited.

KROEMER, Karl HE; GRANDJEAN, Etienne. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. Bookman Editora, p. 321, 2005.

KUMAR, S e MITAL, A. Electromiography in ergonomics. UK: Taylor & Francis, 1996.

LANDAU, Kurt; PETERS, Helmut. Ergonomic demands in automotive component inspection tasks. Occupational Ergonomics, v. 6, n. 2, p. 95-105, 2006.

LANDAU, Kurt; IMHOF-GILDEIN, Beate; MÜCKE, Stephan. On the analysis of sector-related and gender-related stresses at the workplace—an analysis of the AET data bank. International Journal of Industrial Ergonomics, v. 17, n. 2, p. 175-186, 1996.

LANDAU, Kurt et al. Musculoskeletal disorders in assembly jobs in the automotive industry with special reference to age management aspects. International Journal of Industrial Ergonomics, v. 38, n. 7-8, p. 561-576, 2008.

LINDSTROM, L.; KADERFORS, R.; PETERSEN, I. An electromyographic index for localized muscle fatigue. Journal of Applied Physiology, v.43, p.750-754, 1977.

LUNDERVOLD, Arne. Electromyographic investigations during sedentary work, especially typewriting. American Journal of Physical Medicine & Rehabilitation, v. 30, n. 5, p. 314, 1951.

MARRAS, William S. Industrial electromyography (EMG). International Journal of Industrial Ergonomics, v. 6, n. 1, p. 89-93, 1990.

MERLETTI, Roberto; DI TORINO, P. Standards for reporting EMG data. J Electromyogr Kinesiol, v. 9, n. 1, p. 3-4, 1999.

MORAES, A. C. et al. Análise eletromiográfica do músculo reto femoral durante a execução de movimentos do joelho na mesa extensora. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 11, n. 2, p. 19-24, 2003.

MORAES, Anamaria de; MONT´ALVÃO, Cláudia. Ergonomia: conceitos e aplicações. Rio de Janeiro: 2AB Ltda., 2000. 232 p.

NODA, D. K. G.; MARCHETTI, P.H.; JUNIOR, G.B.V.. A Eletromiografia de superfície em estudos relativos à produção de força. Revista CPAQV–Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida, v. 6, n. 3, p. 2, 2014.

O'SULLIVAN, Susan B.; SCHMITZ, Thomas J. Fisioterapia: avaliação e tratamento. In: Fisioterapia: avaliação e tratamento. 2004.

PITCHER, Mark J.; BEHM, David G.; MACKINNON, Scott N. Neuromuscular fatigue during a modified Biering-Sørensen test in subjects with and without low back pain. Journal of sports science & medicine, v. 6, n. 4, p. 549, 2007.

POLLOCK, M.L., WILMORE, J.H. Exercícios na Saúde e na Doença : Avaliação e Prescrição para Prevenção e Reabilitação. MEDSI Editora Médica e Científica Ltda., 233-362, 1993.

PUNNETT, L et al. Ergonomic stressors and upper extremity musculoskeletal disorders in automobile manufacturing: a one year follow up study. Occupational And Environmental Medicine, v. 61, n. 8, p.668-674, 1 ago. 2004. BMJ.

SCHAUB, Karlheinz G. et al. Ergonomic screening of assembly tasks in automotive industries. In: Proceedings of the Human Factors and Ergonomics Society Annual Meeting. Sage CA: Los Angeles, CA: SAGE Publications, 2000. p. 5-409-5-412.

STATISTA. Worldwide automobile production from 2000 to 2017. 2017. Disponível em: . Acesso em: 15 mar. 2018.

TIESINGA L.J., DASSEN T.W. ; HALFENS R.J. Fatigue: a summary of the definitions, dimensions, and indicators. Nursing Diagnosis 7(2), 51–62, 1996.

THUN, Jörn-Henrik; LEHR, Christian B.; BIERWIRTH, Max. Feel free to feel comfortable—an empirical analysis of ergonomics in the German automotive industry. International Journal of Production Economics, v. 133, n. 2, p. 551-561, 2011.

ULIN, Sheryl S.; KEYSERLING, W. Monroe. Case Studies of Ergonomic Interventions in Automotive Parts Distribution Operations. Journal Of Occupational Rehabilitation, v. 14, n. 4, p.307-326, dez. 2004. Springer Nature.

WISNER, Alain. Questões epistemológicas em ergonomia e em análise do trabalho. In. DANILEU, Francçois (Coord). Ergonomia em busca de seus princípios: debates epistemológicos. Tradução de Maria Irene Stocco Betiol. São Paulo/BR. Editora Edigard Blücher, 2004.

WOMACK, J. P.; JONES, D. T.; ROOS, D. The machine that changed the world. New York: Rawson Associates, 1990.




DOI: https://doi.org/10.15675/gepros.v14i5.2546

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons

Está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional

e-ISSN: 1984-2430
GEPROS. Gest. prod. oper. sist., Bauru, São Paulo-SP (Brasil).

Departamento de Engenharia de Produção da Faculdade de Engenharia da UNESP - Bauru

Av. Eng. Edmundo Carrijo Coube, n° 14-01 Fone: 55-14-3103-6122